Reciprocidade
- Marcos Amazonas Santos
- 12 de jan.
- 2 min de leitura

Estaciono o meu velho carro e caminho tranquilamente para o supermercado, foi quando vi um carro na vaga das grávidas, até aí tudo bem, pois era uma senhora, muito bem vestida que colocava as suas compras dentro da mala do seu carro. O único problema é que ela não estava grávida. Olhei-a e ela não se importou, pegou o carrinho das compras levou como se nada fosse. Sigo e vejo outro carro, agora estacionado na vaga para pessoas com deficiência e, vejo um senhor um pouco mais velho que eu, sem qualquer deficiência física, a por as suas compras no seu carro tranquilamente.
Fiquei perplexo, primeiro porque havia várias vagas livres no estacionamento. Mesmo assim, os dois se dirigiram aos lugares que são reservados para pessoas específicas nas quais eles não se enquadravam. Outro aspecto é a falta de respeito e civilidade dos dois, pois sabem que aqueles lugares estão reservados e ficam mais próximos da entrada por serem justamente para pessoas que são portadores de deficiência ou por serem mulheres que estão grávidas, mas os dois demostraram que não se importam e nem se preocupam com ninguém. Ou seja, são pessoas egoístas que olham somente para os seus interesses e os outros que se danem.
A atitude dessas duas pessoas mostrou-me como é fácil passar por cima das regras, ultrapassar os limites e o direito dos demais. Entretanto, tenho certeza absoluta que essas mesmas pessoas seriam as primeiras a reclamar e a se indignar se alguém lhes usurpasse um direito seu. Foi nesse momento que recordei as palavras do Mestre:
“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12). Ou seja, na linguagem popular, “faça aos outros o que deseja que lhes façam”.
Jesus ensina que o bem que eu desejo para mim, a forma que desejo ser tratado eu devo tratar os demais. Portanto, Se não desejo que violem os meus direitos, que usurpem o meu lugar devo agir da mesma maneira.
Uma mulher e um homem estão no estacionamento de um supermercado e, têm em comum a falta de respeito e sensibilidade em relação às pessoas com deficiência. São pessoas que não demonstram empatia. Entretanto, tanto eles como eu, somos falhos e devemos sempre ter em mente que para vivermos bem em sociedade, precisamos fazer aos demais o que queremos que nos façam.
O Senhor Jesus disse isso e foi muito mais além, pois concluiu afirmando que toda a Escritura se cumpre nessa atitude. Logo, quem trata o outro com dignidade, quem respeita o outro, além de afirmar que deseja ser tratado da mesma maneira, manifesta em sua vida que percebeu o que Deus deseja de cada um de nós. Sendo assim, viva uma espiritualidade que se manifesta em atitudes benéficas em relação aos demais.



Excelente reflexão. Lembrou-me o período de confinamento por COVID, quando pessoas diziam: "Vamos sair melhor dessa" e eu me lembrava das prateleiras vazias, dos estoques de papel higiênico e pensava: Vamos sair pior desta. O ser humano é egoísta. Precisamos fazer o esforço do altruísmo, o esforço do respeito mútuo, quando este deveria ser natural. Vivemos com um Deus confinado à igreja aos domingos, quando deveríamos mesmo era viver com Deus ao nosso lado o tempo todo. Paz.