O debate
- Marcos Amazonas Santos
- há 12 minutos
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Assisto ao debate entre duas pessoas assumidamente cristãs e com pontos de vistas distintos. Ter pontos divergentes não é problema, pois a igreja vive a unidade na diversidade. Contudo, ver ataques pessoais e afirmações de que o outro não é cristão, que não serve a Deus, simplesmente por não seguir a mesma linha de pensamento, é muito triste.
O diálogo em determinados momentos foi ofensivo e houve agressão verbal. Dentro da realidade cristã, a máxima de que “a melhor defesa é o ataque” não condiz com o evangelho.
É preciso resgatar a essência do evangelho; devemos deixar de lado as brigas que em nada edificam. Tertuliano, apologista cristão, afirmou que “os pagãos” olhavam para o testemunho que os cristãos davam e para a maneira como viviam, o que os levou a dizer: “vede como eles se amam”. Entretanto, hoje, diriam: “vede como eles se digladiam”.
O apóstolo Paulo, na sua epístola aos romanos declara:
“Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18).Ou seja, faça tudo o que estiver ao seu alcance para estar em paz com as pessoas.
A essência do evangelho é o amor e amor é uma atitude benéfica em relação ao outro. Há dois momentos na vida de Jesus em que Ele fala sobre amor em relação aos outros. O Mestre disse o seguinte:
“Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” e, “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. (Mt 5.44; Jo 13.35).No primeiro texto, Jesus fala em relação aos de fora, os que não são seus discípulos, e afirma que os discípulos devem amar essas pessoas, cuidando das suas necessidades materiais e espirituais. Contudo, o segundo é dirigido aos de dentro e afirma que é fundamental que os seus discípulos se amem como Ele amou.
A caminhada cristã não é de uniformidade. Os discípulos precisam ver em unidade, mas essa acontece dentro da diversidade. Sendo assim, há espaço para a divergência, para o debate de ideias, mas que jamais haja agressões, ódio na vida dos que se dizem ser seguidores de Cristo, pois a igreja tem que ser a comunidade do amor.
Que aprendamos a defender as nossas ideias, que sejamos firmes nos nossos debates, mas que jamais sejamos agressivos com o nosso semelhante. Que a nossa regra, o padrão de nossa vida, sejam sempre o amor.



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