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Paciência com os homens

  • Foto do escritor: Marcos Amazonas Santos
    Marcos Amazonas Santos
  • 28 de jan.
  • 4 min de leitura

Há um escritor, teólogo que admiro muito. Gosto dos seus livros e de sua honestidade. No livro, “O problema de Deus”, Bart Ehrman, assumiu que a questão do sofrimento o levou a Deus, mas também o fez perder a fé. Espero que ele regressar à fé. Entretanto, não foi apenas Bart Ehrman que perdeu a fé, muitas pessoas ao longo da história a perderam e, quiçá, nós próprios já enfrentamos as nossas crises, descremos, abandonamos a fé, viramos às costas e regressamos para o que chamamos de vida passada.

A Escritura narra a história de dois amigos que perderam a fé. Deixaram a comunidade, mas na estrada, foram encontrados por Aquele que não nos vira às costas. Jesus fez o percurso com eles. Lucas narra a história assim:

“E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaus; E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles; Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando trocais entre vós, e porque estais tristes? E, respondendo um, cujo nome era Cléofas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi varão profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. É verdade que também algumas mulheres de entre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. E alguns dos que estavam connosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém a ele não o viram. E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. E chegaram à aldeia para onde iam e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram, dizendo: Fica connosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu, e lho deu. Abriram-se-lhe então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? E na mesma hora, levantando-se, tornaram para Jerusalém, e acharam congregados os onze, e os que estavam com eles; Os quais diziam: Ressuscitou verdadeiramente o SENHOR, e já apareceu a Simão. E eles lhe contaram o que lhe acontecera no caminho, e como deles foi conhecido no partir do pão” (Lc 24.13-35). 

Esmorecer e abandonar a caminhada cristã é algo comum. O homem perde a fé em Deus e desiste de Deus, mas o Senhor não desiste do homem.

Jesus é paciente, escuta-nos atentamente. Espera que falemos das nossas decepções e desilusões, segue na estrada conosco, é companheiro de viagem. Está atento ao nosso percurso, às nossas questões. Ele não é indiferente. O Senhor não nos abandona Ele prometeu que iria estar conosco todos dos dias até à consumação dos séculos.

O Senhor nos responde, nos fala através da Escritura. Ele abre os nossos olhos, mas precisamos estar desejosos de entender o que aconteceu e o que está acontecendo à nossa volta. Sim, a crise de fé se esvai quando permitimos que a Palavra queime em nossos corações.

Nossa crise de fé se dissipa quando experimentamos o Senhor. Precisamos de um encontro pessoal, tangível. Uma fé sólida e fundamentada no que experienciamos e não no que nos disseram. Note, esses homens falam que os outros testemunharam que tinham visto o Senhor, mas eles não creram. Era preciso experimentar, ver, ter certeza de que Jesus havia ressuscitado. Ou seja, a nossa crise desaparece quando temos uma experiência pessoal com o Senhor.

A fé renovada nos faz regressar à comunidade. Ela nos leva de volta à comunhão e nos faz testemunhar o que vivenciamos. Falamos da manifestação do Senhor em nossa vida, nos alegramos e celebramos em comunhão com os nossos irmãos.

Na caminhada da vida, existem vários motivos que nos fazem perder a fé. Bart Ehrman foi a questão do sofrimento, os discípulos do caminho de Emaús foi a frustração com o esperado Messias. Cada um de nós tem seus motivos. Entretanto, podemos até desistir de Deus, perder a fé. Contudo, o Senhor não desiste de nós e, da mesma maneira que Ele foi ao encontro dos discípulos de Emaús, o Mestre vem ao nosso encontro.

Bart Ehrman perdeu a fé em Deus, mas Deus não desistiu dele. Espero poder um dia, e quem sabe, em breve lê-lo afirmando que os seus olhos foram abertos e suas crises dissipadas.

A resposta de Deus para a crise da fé consiste na Palavra, comunhão e oração. Usando apenas uma palavra: Meditação.

 
 
 

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