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O outono da vida

  • Foto do escritor: Marcos Amazonas Santos
    Marcos Amazonas Santos
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura

Entrei no outono da minha existência. O outono simboliza a velhice. A colheita acontece no outono, e a velhice revela a colheita da vida. Com gratidão, devemos contemplar os frutos que a vida produziu. É claro que ainda carrego muitos sonhos dentro de mim, mas agora procuro viver o presente sem esperar muito do futuro.

Estou desfrutando da vida, desfrutando da colheita. E não há nada melhor do que poder desfrutar na companhia daqueles que chegam e renovam a nossa esperança. A minha colheita acontece com a chegada do meu neto: frágil, dócil, e que me faz olhar para a vida e para o mundo de outra maneira.

Estou no outono da vida e sou avô. Todos os dias vejo fotos e vídeos do meu neto. No entanto, uma foto em especial mexeu comigo: ele está dormindo nos braços do pai, sorrindo, seguro e sem qualquer preocupação. Na beleza da imagem e no seu sorriso, recordei-me do texto que fala sobre o nascimento de Isaque. O texto diz assim:

“Depois apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre, estando ele sentado à porta da tenda, no calor do dia. Levantou os olhos, olhou, e eis que três homens estavam em pé diante dele. Ao vê-los, correu da porta da tenda ao encontro deles e inclinou-se até o chão. E disse: Meu Senhor, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que não passes do teu servo. Traga-se um pouco de água, lavai os vossos pés e descansai debaixo desta árvore. Trarei também um pouco de pão, para que fortaleçais o vosso coração; depois seguireis adiante, pois foi para isso que chegastes até o vosso servo. E eles disseram: Faze como disseste. Então Abraão apressou-se em ir à tenda até Sara e disse-lhe: Amassa depressa três medidas de flor de farinha e faze bolos. Abraão correu ao gado, tomou um bezerro tenro e bom e o deu ao servo, que se apressou em prepará-lo. Tomou manteiga, leite e o bezerro que havia preparado, colocou tudo diante deles; e permaneceu em pé junto a eles, debaixo da árvore, enquanto comiam. Então lhe perguntaram: Onde está Sara, tua mulher? Ele respondeu: Está ali, na tenda. E o Senhor disse: Certamente voltarei a ti por este tempo da vida, e Sara, tua mulher, terá um filho. Sara escutava à porta da tenda, atrás dele. Abraão e Sara já eram idosos, avançados em idade; e a Sara já havia cessado o costume das mulheres. Assim, Sara riu-se consigo mesma, dizendo: Depois de envelhecer, ainda terei prazer, sendo também o meu senhor já velho? E o Senhor disse a Abraão: Por que Sara se riu, dizendo: Dareis à luz um filho, sendo velha? Existe algo impossível para o Senhor? No tempo determinado voltarei a ti, por este tempo da vida, e Sara terá um filho. Sara negou, dizendo: Não me ri; pois teve medo. Mas ele disse: Não negues, porque te riste. Então aqueles homens se levantaram dali e olharam em direção a Sodoma; e Abraão ia com eles, acompanhando-os” (Gn 18.1–16).

O meu neto não se chama Isaque, mas ele é motivo de riso.

Sou um pai que tem orgulho dos seus filhos. Eles são a minha alegria, o meu tesouro. Posso dizer que sou um homem bem-sucedido, não por possuir grandes coisas, mas por ter filhos maravilhosos. Agora, porém, chega uma nova colheita, que me traz ainda mais motivos de riso, e sei que muitos compartilham dessa alegria e desse prazer.

Estou no outono da vida, no tempo da colheita, e confesso que não tenho grandes planos para o futuro. Quero desfrutar do presente e desejo viver intensamente cada momento, investindo quem sou na vida daqueles que me são queridos.

Quero colher, mas que a minha colheita seja de pessoas, revestida de alegria e riso. Quero desfrutar do meu neto e dos netos que ainda hão de chegar, e desejo ser, para eles e neles, motivo de riso e alegria.

 
 
 

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