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A oferta

  • Foto do escritor: Marcos Amazonas Santos
    Marcos Amazonas Santos
  • 14 de jan.
  • 2 min de leitura

Recordei um diálogo que tive com um amigo angolano. Falávamos sobre generosidade e cuidado e, foi aí, que ele me deu a maior lição sobre o cuidado em relação aos demais. No seu jeito desprendido de ser, disse-me que os brancos costumam oferecer o que não querem mais, aquilo que não lhes serve, mas que na sua cultura, quando desejam oferecer algo, quando decidem suprir a necessidade de alguém dão o melhor. Portanto, não é o que sobra, não é o que não queremos mais, mas o melhor. Confesso que fiquei muito feliz com o que escutei, pois essa era uma ideia que eu defendia. Se não serve para mim, não serve para mais ninguém. Ou seja, não ofereça o que não lhe serve, o que não presta mais. Não dê as sobras, mas o melhor.

Recordei esse diálogo e me deparei com a Escritura. Jesus estava no templo, observando as pessoas. Era o momento do ofertório e, na perspectiva do mestre o pouco vale mais do que o muito, quando este é oferecido como sobra. Eis a narrativa de Lucas:

“E, olhando ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; E viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; E disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva; Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha” (Lc 21.1-4).

Veja, para Deus não é a quantidade que conta, mas a qualidade. O Senhor vê a atitude, o que brota do coração. Quem dá o que sobra diz que não depende de Deus, mas quem entrega tudo, declara que depende única e exclusivamente do agir de Deus. Ou seja, para Deus é tudo ou nada.

Quero oferecer o melhor e ao entregar o melhor, confiar na providência de Deus. Quem dá o melhor, quem entrega o que lhe faz falta diz que confia na ação de Deus e no seu cuidado. Portanto, longe de mim oferecer sobras.

Ofertar o melhor é priorizar Deus e dizer que depende d’Ele, mas é também valorizar o outro, afirmando que ele é digno de receber o melhor e nunca sobras. É olhar para o outro com amor e dignidade.

O Senhor Jesus deixou claro que é tudo ou nada. É o melhor ou não é. Portanto, analisemos a forma como ofertamos, a maneira como pretendemos cuidar dos demais. É uma atitude sincera ou apenas um ato para chamar atenção e buscar reconhecimento dos demais?

Todas as vezes que pensemos em ofertar, vejamos a atitude do nosso coração, analisemos se queremos chamar atenção para nós ou se verdadeiramente estamos ofertando o melhor e confiando no agir de Deus.

 
 
 

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