top of page

Ser um

  • Foto do escritor: Marcos Amazonas Santos
    Marcos Amazonas Santos
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

A vida a dois é um desafio. Ela é uma jornada de entrega e luta constante contra o egoísmo. E é justamente aí que mora o problema: ninguém quer, de fato, “matar” o seu próprio eu. No entanto, quando alguém decide partilhar a vida com outra pessoa, precisa estar disposto a todos os dias, lutar contra si mesmo para que a convivência seja harmoniosa.

Quando penso em partilha de vida e em relação conjugal, lembro-me sempre do texto do Gênesis:

Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (Gn .24). 

É apenas um versículo da Escritura, profundamente desafiador, pois nos faz compreender a família como sendo algo vivo e dinâmico. 

Quem deseja entrar em um relacionamento precisa aprender a caminhar com as próprias pernas. É necessário mostrar que se está apto a deixar o ninho, que há maturidade suficiente para iníciar um novo núcleo, fruto de sua escolha consciente e responsável.

Ao optar por construir uma relação, aprende-se a arte do desapego. “Deixar pai e mãe”, não significa abandonar, mas sair e assumir responsabilidades. É escolher fazer o próprio caminho e dar início a um novo projeto de vida. É deixar a zona de conforto, o castelo seguro, para entrar numa aventura de entrega e de construção conjunta.

Entrar em uma relação é, ao mesmo tempo, um projeto de desapego e apego. Deixa-se pai e mãe, rompem-se os laços umbilicais, mas cria-se um vínculo profundo e íntimo com outra pessoa. O grande desafio está justamente em tornar-se um com o outro, pois esse caminho exige matar a própria vontade e o próprio egoísmo.

Estar num relacionamento é descobrir-se e descobrir o outro. É uma aventura, uma jornada de autoconhecimento e de conhecimento mútuo. Trata-se de um percurso feito de partilha, mas também de tensões, pois, nas descobertas, surgem sentimentos e emoções que nem sempre agradam. A relação é uma jornada para a vida inteira e a estrada está longe de ser reta ou plana: é feita de curvas e contracurvas, subidas e descidas,

desvios e até becos sem saída que nos obrigam a parar, regressar e reorientar a rota.

No fundo, estar em um relacionamento, ser uma só carne, é morrer para si por escolha própria e nascer no outro e para o outro.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


bottom of page