Convergência
- Marcos Amazonas Santos
- há 2 dias
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Vivemos em uma sociedade polarizada e as pessoas estão de costas viradas. Há uma guerra constante, onde o que importa é a sua visão e que a sua opinião prevaleça sobre a do outro. Além do mais, cresce cada vez mais o preconceito, ficando cada vez mais claro o avanço da intolerância religiosa.
Há em nossos dias uma divergência generalizada. É cada um por si, o que importa é o que eu penso e se os outros têm opinião diferente, tornam-se imediatamente inimigos, não há espaço para o diálogo. Contudo, quando meditamos nas Escrituras, percebemos que devemos agir de maneira completamente diferente. No lugar da divergência, devemos procurar a convergência e isso, fica claro quando o apóstolo Paulo discursa em Atenas e diz ao povo:
“Homens atenienses, em tudo vos vejo como sendo um tanto supersticiosos; Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: ao deus desconhecido. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a Divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, ordena agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17.22-31).Paulo, judeu, monoteísta, encontra-se no aerópago, no meio dos altares aos deuses e olha para o povo e não os acusa, pelo contrário elogia-os. Reconhece o desejo que eles têm de se relacionar com o transcendente e, sem divergir, vai em direção ao anseio do povo, unindo-se a eles de maneira bela para apresentar o Criador do universo.
O texto mostra que o apóstolo apresenta o Deus desconhecido, mas que ama toda a humanidade e deseja a salvação de todos. É o Deus que cuida, que sustenta a criação. O apóstolo não acusa, não diz que sua religião é melhor que a dos outros. Ele simplesmente apresenta Deus e manifesta a sua graça aos demais.
Paulo dialoga com as pessoas. Ele ensina que na convergência, o diálogo é possível. Na convergência, podemos debater ideias e não pessoas. Sim, podemos aprender uns com os outros e ver o que há de bom dentro de uma visão que seja divergente e a partir dela, convergir para um diálogo profundo de respeito mútuo.
Numa sociedade que alimenta o preconceito, as narrativas culturais, que vive de costas viradas, devemos buscar os pontos de encontro, buscar a convergência para que possamos apresentar a graça e viver de maneira harmoniosa num mundo que preconiza a desarmonia.



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